A partir de que idade dá para fazer avaliação neuropsicológica?
Por Mariana Borges, psicóloga e neuropsicóloga, CRP 09/9037
Resposta curta
Não existe uma idade única: há instrumentos de avaliação para diferentes fases da vida, e a idade adequada depende da pergunta que motivou a busca. No consultório da Mariana Borges, em Goiânia, a avaliação neuropsicológica é feita a partir de 2 anos e 6 meses, em crianças, adolescentes e adultos. Antes disso, o primeiro passo é o pediatra, que acompanha o desenvolvimento e orienta o encaminhamento.
Uma das dúvidas mais comuns de quem procura a avaliação neuropsicológica é: meu filho já tem idade para isso? A resposta depende da pergunta que motivou a busca. Existem instrumentos de avaliação para diferentes fases da vida, e o caminho muda com a idade. Este artigo explica o que considerar em cada fase e quando procurar ajuda.
Existe uma idade mínima para a avaliação neuropsicológica?
Não existe uma idade única. Há instrumentos de avaliação para crianças pequenas, para crianças em idade escolar, para adolescentes, para adultos e para idosos. O que muda é o objetivo e a forma da avaliação.
No consultório, em Goiânia, a avaliação neuropsicológica é feita a partir de 2 anos e 6 meses, em crianças, adolescentes e adultos. Para crianças menores, o caminho começa pelo pediatra, como explico abaixo.
Antes de 2 anos e 6 meses: o pediatra é o primeiro passo
Nos primeiros anos, o desenvolvimento muda muito rápido.
Nessa fase, quem acompanha o desenvolvimento é o pediatra, com a ajuda da Caderneta da Criança, que traz os marcos esperados para cada idade. Algumas triagens fazem parte desse acompanhamento:
- o M-CHAT-R/F, questionário de triagem para sinais de autismo, que o Ministério da Saúde orienta aplicar entre os 16 e os 30 meses
- a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda rastrear sinais de autismo aos 18 e aos 24 meses
Triagem não é diagnóstico: ela indica se vale investigar mais. Se algo no desenvolvimento do seu filho chama a sua atenção, como atraso na fala, pouca interação ou perda de habilidades que ele já tinha, converse com o pediatra. Ele orienta o encaminhamento adequado para a idade.
A partir de 2 anos e 6 meses: a primeira infância
A partir de 2 anos e 6 meses, a avaliação neuropsicológica já pode ser feita no consultório. Nessa fase, o desempenho de uma criança varia bastante de um mês para outro. As funções executivas, por exemplo, que permitem planejar, esperar e controlar impulsos, têm um período de crescimento acentuado entre os 3 e os 5 anos, segundo o Center on the Developing Child, da Universidade Harvard.
Por isso, com crianças pequenas, a avaliação usa tarefas próprias para a idade, brincadeira e observação, além das informações da família, do pediatra e, quando a criança já frequenta, da escola.
A fase escolar
Com a entrada na escola, muitas dificuldades ficam mais visíveis: atenção em sala, leitura, escrita, matemática, organização e convivência. É também quando muitas famílias recebem um pedido de avaliação da escola. O artigo A escola pediu uma avaliação. E agora? mostra os primeiros passos.
Alguns quadros precisam de tempo de escola para serem avaliados com segurança. Segundo o Instituto ABCD, o diagnóstico formal de dislexia costuma ser feito depois de cerca de dois anos de escolarização, quando dá para ver se a dificuldade persiste mesmo com ensino adequado. O artigo sobre dislexia explica os sinais em cada idade.
Nessa fase, a avaliação usa tarefas próprias para a idade, brincadeira e observação, além de informações da família e da escola.
Adolescência
Na adolescência, a avaliação costuma ser procurada por dificuldades de aprendizagem que ficaram mais evidentes com o aumento das exigências, por suspeita de TDAH ou de autismo que não foram identificados antes, ou por questões emocionais que afetam a concentração. Também é a fase da escolha profissional, e a orientação vocacional pode ajudar.
Vida adulta
Não existe idade máxima. Muitos adultos procuram a avaliação por suspeita de TDAH ou de autismo, por queixas de memória e atenção ou para entender dificuldades no trabalho e nos estudos. O artigo TDAH em adultos explica como funciona nesse caso.
Envelhecimento
Em idosos, a avaliação neuropsicológica ajuda a investigar queixas de memória e a diferenciar as mudanças esperadas do envelhecimento de outras situações. Quando há suspeita de demência, o diagnóstico é feito pelo médico, e a avaliação contribui com informações sobre o funcionamento cognitivo.
Como funciona a avaliação
Em qualquer idade, a avaliação tem uma entrevista inicial, sessões com tarefas e testes padronizados, a análise dos resultados com o laudo e uma devolutiva. O passo a passo está em Como funciona a avaliação neuropsicológica.
Se você está em dúvida sobre se é o momento de avaliar, é só me chamar pelo WhatsApp para conversar sobre a avaliação neuropsicológica.
Perguntas frequentes
Com quantos anos pode fazer avaliação neuropsicológica?
Não há uma idade única. Existem instrumentos para diferentes fases. No consultório da Mariana Borges, em Goiânia, a avaliação é feita a partir de 2 anos e 6 meses, em crianças, adolescentes e adultos.
E se meu filho tem menos de 2 anos e 6 meses?
O primeiro passo é conversar com o pediatra. Ele acompanha o desenvolvimento pela Caderneta da Criança, aplica as triagens indicadas para a idade e orienta o encaminhamento adequado.
O que é o M-CHAT e quando é feito?
É um questionário de triagem para sinais de autismo, respondido pelos pais. O Ministério da Saúde orienta aplicá-lo entre 16 e 30 meses. É triagem, não diagnóstico.
Adulto pode fazer avaliação neuropsicológica?
Sim. Adultos procuram, por exemplo, por suspeita de TDAH ou de autismo, por queixas de memória ou atenção, ou para entender dificuldades no trabalho.
Idoso com esquecimento pode fazer avaliação neuropsicológica?
Sim. A avaliação ajuda a investigar queixas de memória e a diferenciar o envelhecimento esperado de outras situações. O diagnóstico de demência, quando for o caso, é feito pelo médico, e a avaliação contribui com ele.
Com quantos anos dá para diagnosticar dislexia?
Sinais de risco podem aparecer antes da alfabetização, mas o diagnóstico formal costuma ser feito depois de cerca de dois anos de escolarização, segundo o Instituto ABCD.
Fontes
- Ministério da Saúde. Linha de Cuidado da Pessoa com TEA, 2025 (M-CHAT-R/F)
- Ministério da Saúde. Caderneta da Criança, atenção primária
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Triagem precoce para autismo
- Center on the Developing Child, Universidade Harvard. Executive Function: Skills for Life and Learning
- Instituto ABCD. Perguntas e respostas sobre dislexia