Pular para o conteúdo
NeuropsicologiaPublicado em

Funções executivas: o que são e como aparecem na escola e no trabalho

Por , psicóloga e neuropsicóloga, CRP 09/9037

Ilustração da marca com três círculos que representam as funções executivas: memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade cognitiva

Resposta curta

Funções executivas são as habilidades mentais que usamos para planejar, organizar, começar e terminar tarefas, controlar impulsos e mudar de estratégia quando algo não dá certo. As três principais são a memória de trabalho, o controle inibitório e a flexibilidade cognitiva. Elas se desenvolvem desde a infância até a vida adulta e podem ser investigadas em uma avaliação neuropsicológica.

Funções executivas são as habilidades que permitem planejar, organizar, começar e terminar tarefas, controlar impulsos e mudar de estratégia quando algo não sai como esperado. São elas que entram em cena quando precisamos pensar antes de agir, em vez de seguir no automático. Entender como funcionam ajuda a explicar muitas dificuldades na escola, no trabalho e na rotina.

O que são funções executivas

As funções executivas são um conjunto de processos mentais que organizam o comportamento em direção a um objetivo. Uma imagem usada pelo Center on the Developing Child, da Universidade Harvard, é a de uma torre de controle de aeroporto: muitas informações chegam ao mesmo tempo, e é preciso decidir o que vem primeiro, o que espera e o que muda de rota.

Elas não são a mesma coisa que inteligência. Uma pessoa pode ter bom raciocínio e, mesmo assim, ter dificuldade para organizar o que precisa fazer ou para sustentar o esforço até o fim.

Quais são as funções executivas

Na revisão de referência sobre o tema, a pesquisadora Adele Diamond descreve três funções executivas centrais:

  • Memória de trabalho: manter uma informação na mente e trabalhar com ela. Por exemplo, guardar as instruções do professor enquanto faz o exercício, ou fazer uma conta de cabeça.
  • Controle inibitório: frear um impulso, resistir a uma distração ou deixar de lado um hábito para fazer o que a situação pede. Por exemplo, esperar a vez de falar ou continuar a tarefa com o celular por perto.
  • Flexibilidade cognitiva: mudar de estratégia, de regra ou de ponto de vista quando a situação muda. Por exemplo, tentar outro caminho quando a primeira solução não funcionou.

A partir dessas três se constroem habilidades mais complexas, como planejar, organizar, resolver problemas e raciocinar.

Diagrama das três funções executivas centrais e do que deriva delas: planejamento, organização e resolução de problemas
As três funções executivas centrais e as habilidades que dependem delas.

Como as funções executivas se desenvolvem

As funções executivas começam a se formar logo nos primeiros anos de vida. Segundo o Center on the Developing Child, elas têm um período de crescimento acentuado entre os 3 e os 5 anos e continuam se desenvolvendo durante a adolescência e o início da vida adulta.

Por isso é esperado que uma criança pequena tenha dificuldade para esperar, para seguir várias instruções seguidas ou para mudar de atividade. O que chama atenção é quando a dificuldade fica muito diferente do esperado para a idade, dura muito tempo e atrapalha a vida da criança.

Como as funções executivas aparecem na escola

Na escola, as funções executivas estão em quase tudo. Algumas situações em que uma dificuldade costuma aparecer:

  • começar a lição e não terminar, mesmo sabendo fazer
  • esquecer material, recados e datas de prova
  • perder o fio de instruções com mais de um passo
  • dificuldade para organizar o caderno, a mochila e o tempo de estudo
  • trocar de atividade com muito custo ou travar quando a primeira estratégia não funciona
  • responder antes de ouvir a pergunta inteira

Nenhum desses sinais, sozinho, indica um problema. Toda criança passa por isso às vezes.

Como as funções executivas aparecem no trabalho e na vida adulta

No adulto, as mesmas habilidades aparecem de outro jeito: cumprir prazos, priorizar tarefas, organizar a agenda, começar o que precisa ser feito sem adiar e manter a atenção em reuniões longas. Quem tem dificuldade nas funções executivas muitas vezes sabe exatamente o que precisa fazer, mas tem dificuldade de transformar isso em ação.

Exemplos de funções executivas no dia a dia: organizar a mochila e a lição na escola, cumprir prazos e priorizar tarefas no trabalho
As mesmas habilidades aparecem na escola e no trabalho.

O que pode atrapalhar as funções executivas

As funções executivas são sensíveis ao estado da pessoa. Segundo a revisão de Diamond, estresse, sono ruim, solidão e falta de atividade física prejudicam o seu funcionamento. Por isso, em fases difíceis, qualquer pessoa pode ficar mais desorganizada ou esquecida.

Dificuldades persistentes nas funções executivas também aparecem em vários quadros, como o TDAH (transtorno do déficit de atenção e hiperatividade), os transtornos de aprendizagem, o transtorno do espectro autista e lesões ou doenças neurológicas. Dislexia e TDAH, por exemplo, aparecem juntos com frequência e compartilham algumas dificuldades cognitivas, como na memória de trabalho e na atenção.

Funções executivas e TDAH são a mesma coisa?

Não. O TDAH costuma afetar as funções executivas, mas a relação não é de mão dupla: nem toda dificuldade executiva é TDAH. Ansiedade, depressão, privação de sono, dificuldades de aprendizagem e outras condições também afetam essas habilidades. O artigo TDAH em adultos explica como essa diferença é investigada.

Como a avaliação neuropsicológica investiga as funções executivas

A avaliação neuropsicológica investiga as funções executivas com:

  1. Entrevista, também chamada de anamnese: a história da pessoa, as queixas e como elas aparecem em casa, na escola ou no trabalho.
  2. Tarefas e testes padronizados, que medem memória de trabalho, controle inibitório, flexibilidade, planejamento e atenção, comparando o desempenho com o esperado para a idade.
  3. Questionários respondidos pela família, pela escola ou pelo próprio adulto, que mostram como essas habilidades funcionam no dia a dia.
  4. Laudo e devolutiva, com os resultados e as orientações para a família, a escola e os outros profissionais.

O resultado não é uma nota. É um retrato com pontos fortes e dificuldades, que ajuda a decidir o que fazer. O passo a passo está no artigo Como funciona a avaliação neuropsicológica.

Dá para desenvolver as funções executivas?

A literatura científica mostra que as funções executivas melhoram com a prática. Mas também mostra um limite importante: o treino de uma tarefa específica, como um jogo de computador, tende a melhorar sobretudo aquela tarefa, sem efeito garantido na vida real.

O que costuma ajudar mais é trabalhar as habilidades nas situações em que elas são usadas, com estratégias concretas: dividir tarefas grandes em etapas, usar listas e lembretes, organizar o ambiente e combinar rotinas. Quando a dificuldade é maior, a reabilitação neuropsicológica e a psicoterapia podem ajudar a construir essas estratégias.

Se você reconheceu essas dificuldades em você ou no seu filho e quer entender melhor o que está acontecendo, é só me chamar pelo WhatsApp.

Perguntas frequentes

Quais são as funções executivas?

As três centrais são a memória de trabalho (manter e usar uma informação na mente), o controle inibitório (frear impulsos e distrações) e a flexibilidade cognitiva (mudar de estratégia ou de ponto de vista). Delas dependem habilidades como planejar, organizar e resolver problemas.

Dificuldade nas funções executivas é um diagnóstico?

Não. É uma descrição de como a pessoa funciona. Dificuldades nas funções executivas aparecem em vários quadros, como TDAH, transtornos de aprendizagem e lesões cerebrais, e também em fases de estresse ou de sono ruim.

Funções executivas e TDAH são a mesma coisa?

Não. O TDAH costuma afetar as funções executivas, mas nem toda dificuldade executiva é TDAH. Só uma avaliação cuidadosa diferencia uma coisa da outra.

Funções executivas podem ser treinadas?

Elas melhoram com a prática, segundo a literatura científica. Mas o efeito de jogos e aplicativos de treino tende a ficar restrito à tarefa treinada. Estratégias no dia a dia, com orientação profissional, costumam fazer mais diferença.

Adulto pode ter dificuldade nas funções executivas?

Sim. No adulto, a dificuldade aparece em prazos, organização, procrastinação e controle do tempo. Quando é antiga e atrapalha a vida, vale investigar.

Como as funções executivas são avaliadas?

Na avaliação neuropsicológica, com entrevista, observação, questionários e tarefas padronizadas que medem memória de trabalho, controle inibitório, flexibilidade, planejamento e atenção, comparando o resultado com o esperado para a idade.

Fontes

Ficou com alguma dúvida?

Conversar pelo WhatsApp

Saúde mental
é um processo.